sábado, 23 de maio de 2020

O barulhento "Silêncio de um Chevrolet": ouça versão exclusiva do jingle



Em 2007, quando o blog e podcast Peças Raras completou um ano de existência, eu conversei com o compositor de músicas publicitárias, Thomas Roth, da produtora Lua Nova.

Na ocasião, perguntei qual jingle ele mais gostou de ter produzido. Ele citou um de Chevrolet, do qual havia sido intérprete. Curiosamente, revelou que uma das músicas publicitárias preferidas dele, entre as criações de outros jinglistas, também era para Chevrolet.

E é nesta trilha que seguimos. Você ouve a palavra de Thomas Roth e, na sequência, uma homenagem a Zé Rodrix.

Duas semanas antes de morrer, em 22 de maio de 2009, Rodrix deu sua última entrevista ao também saudoso Toninho Spessoto. No programa Papo de Músico, que era levado ao ar na Rádio USP de São Paulo, Rodrix relembrou esse jingle.
Mesmo depois de pegar carona em outra viagem, Zé Rodrix continua a fazer barulho com seu “Silêncio de um Chevrolet”. Em 2010, a música voltou repaginada na interpretação de Frejat e Edgard Scandurra.

No blog Peças Raras você conhece mais detalhes dessa história, em uma edição de 30 minutos de duração. Ouça no blog www.pecasraras.blogspot.com ou no seu aplicativo de áudio preferido (Spotify, Deezer, Google Podcasts, Apple Podcasts, Castbox, entre outros)


sábado, 16 de maio de 2020

O Repórter Esso e o anúncio do fim da 2ª Guerra






Durante mais de duas décadas, o Repórter Esso foi o principal noticiário do rádio. O jornalístico entrou no ar em 28 de agosto de 1941, quando o Brasil passou a apoiar os aliados na 2ª Guerra Mundial. Testemunha ocular da história. O slogan dava a dimensão da credibilidade que o Repórter Esso transmitia ao público.

Em cada grande capital do país, havia um jornalista que assumia o noticiário, mas o domínio da Rádio Nacional do Rio de Janeiro fez com que Heron Domingues se tornasse o mais conhecido em todos os cantos do Brasil.

Quando havia rumores de que o conflito estava para terminar, Domingues, com o objetivo de ser o primeiro a dar as últimas, outra assinatura do Repórter Esso, decidiu dormir na Rádio Nacional. A ideia era que, assim que chegasse o telegrama anunciando a rendição alemã, todos soubessem da boa nova na voz dele.
O Repórter Esso Heron Domingues

No entanto, depois de duas semanas, exausto, Heron Domingues foi convencido pelo assistente do departamento artístico da emissora, o Paulo Tapajós, a ir para casa descansar.

Mas antes, o jornalista gravou em uma fita o anúncio do fim da guerra. Se ele não estivesse na Nacional quando a informação chegasse, o áudio seria colocado no ar e outro jornalista complementaria a notícia que teria sido de toda forma trazida na voz de Heron Domingues.

Acontece que no momento em que o conflito acabou, a direção da rádio não encontrou a fita. Nesse meio tempo, até que a Nacional trouxesse a notícia, outra rádio importante da época, a Tupi do Rio de Janeiro, na voz de Décio Luiz chegou a anunciar o desfecho do conflito, mas fato é que a população só acreditou mesmo quando Heron Domingues foi testemunha ocular também dessa história.

Neste boletim, acompanhe um trecho do documentário que o mais importante Repórter Esso relembra como foi essa passagem da carreira dele.
Acompanhe também o episódio 15 do podcast Peças Raras, com uma edição especialmente dedicada ao Repórter Esso. 







sábado, 9 de maio de 2020

Interferência - Ferreira Martins e homenagem aos 83 anos da Bandeirantes





No último dia 6 de maio, a Rádio Bandeirantes completou 83 anos de existência.

No quadro Interferência, que conduzo no "Você é Curioso?", apresentei um áudio do início dos anos 1990. Nele, uma montagem com jingles e slogans de campanhas publicitárias famosas demonstram o quanto o rádio é amigo e cheio de qualidades.


Depois, você ouve um depoimento exclusivo de Ferreira Martins, que conta qual a importância da emissora para o sucesso profissional que alcançou. Hoje, Martins é considerada a grande voz da publicidade brasileira. Até meados de 1990, ele era uma grande voz do jornalismo da Bandeirantes.






sábado, 2 de maio de 2020

Interferência: Futebol de Ouro no Túnel do Tempo




"Quem fala ou escreve drible jamais dibrou alguém na vida...", disse um dia o jornalista esportivo Juca Kfouri. 
E para dibrar a falta de campeonatos de futebol, emissoras de rádio e de TV tem recorrido à reconstituição de jogos históricos. Na internet também. 
Neste episódio, dividido como em uma partida de futebol, no 1º tempo, você vai saber que esse tipo de "replay" já acontecida na década de 1960, quando Fiori Gigliotti comandava pela Rádio Bandeirantes o "Futebol de Ouro". Toda a equipe esportiva era reunida para produzir uma espécie de radioteatro de um jogo que não possuía registro em áudio. 
Acompanhe no player abaixo ou neste site:

Depois de conhecer a origem desse tipo de atração, vamos ao 2º tempo. Nele, o destaque é uma iniciativa que entrou na área recentemente: o canal Dibrou Oficial no Youtube. É a nova jogada de mestre de Renato Rainha, que estreou com a série "Copa de 70 - 50 anos do Tri". Todos os jogos do Brasil daquele torneio ganharam nova narração de Renato Rainha e os comentários de Fábio Piperno. Aqui você vai conferir uma palavrinha de Rainha sobre o novo projeto e, na sequência, os gols de Brasil 4 x Itália 1, na final da Copa de 70. 
Ainda tem a prorrogação. A partir da ideia original de Fiori Gigliotti e seu Futebol de Ouro da década de 1960, eu e o jornalista Daniel Grecco reconstituímos o gol que deu o primeiro título de um Campeonato Paulista, em 1933, ao Palmeiras. 
É muita emoção pra você vibrar com grandes lances do futebol brasileiro. 
Deixo aqui dois endereços para você que quiser curtir mais. As transmissões da final da Copa de 70  com Ulisses Costa para a Rádio Bandeirantes e a de Renato Rainha para o canal Dibrou
E se aceita uma dica, eu voltei à minha adolescência e, assim como via o jogo na TV enquanto acompanhava as narrações de Osmar Santos e Fiori Gigliotti pelo rádio, coloquei o jogo no YouTube (Brasil e Itália) e a narração de agora. 
Boa viagem nesse túnel do tempo que dibra a falta de campeonatos e leva o futebol de ouro para sua imaginação. 

Se quiser conferir a versão deste episódio do Peças Raras no Youtube, aqui está:

domingo, 26 de abril de 2020

Walter Silva, o Picapau, e o início de João Gilberto no rádio


João Gilberto em 1962 (acervo Walter Silva)

O quadro Interferência, que apresento no programa "Você é Curioso?", levado ao ar aos sábados na Rádio Bandeirantes, destacou o programa "Picape do Picapau". 

Foi nesta atração, conduzida pelo saudoso radialista Walter Silva, que João Gilberto foi apresentado ao público, com o lançamento de "Chega de Saudade". 

"Quando Adail Lessa levou, naquele fevereiro de 1959, os discos da EMI e, entre eles o 'Chega de Saudade', Walter Silva ouviu e, assim que a música acabou, dirigiu-se ao operador Vicente Lozi e pediu para que tocasse de novo a música. Ao terminar de ser executada pela segunda vez, o radialista teria se pronunciado de forma entusiasmada: 'Estamos aqui diante de um fato  realmente novo. A melodia é nova, a harmonia é nova, o ritmo é novo, a interpretação é nova e a letra é nova. Tudo aí é novo. Eu acredito que esteja nascendo aí uma nova era para a Música Popular Brasileria'. 

Este relato foi deixado pelo próprio Walter Silva em depoimento ao pesquisador Flávio Porto, para o departamento Multimeios do Centro Cultural São Paulo, em 1983. 

Acompanhe um pouco mais dessa história no vídeo abaixo:



No episódio do podcast Peças Raras, disponível também em agregadores de áudio como Spotify, Deezer, Google Podcasts e Castbox, você confere uma edição mais completa com outros momentos da apresentação de João Gilberto em 1962, transmitida via "Voz da América" para o rádio brasileiro. Ao clicar no player abaixo, você ouve esse episódio especial. 

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Interferência - Hora da Ginástica


No sábado, dia 11 de abril, em participação ao "Você é Curioso?", da Rádio Bandeirantes, o Interferência voltou à década de 1930, quando teve início o programa "Hora da Ginástica", apresentado pelo professor de educação física Oswaldo Diniz Magalhães.

Ainda no boletim você ouve um trecho da sátira feita pelo PRK-30, que era brilhantemente conduzido por Lauro Borges e Castro Barbosa. O episódio do podcast Peças Raras com mais detalhes desta história está neste endereço.


domingo, 4 de novembro de 2018

80 anos de "A Guerra dos Mundos": entrevista com HG Wells e Orson Welles





Em 2016, uma das mais famosas histórias de ficção científica de todos os tempos ganha uma nova edição, em livro de capa dura, no Brasil. Trata-se de “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, escrito originalmente em 1898. Essa história se torna ainda mais conhecida do grande público após a tão comentada e estudada adaptação que ganha em 30 de outubro de 1938, em forma de radioteatro. Na ocasião, Orson Welles dirige a dramatização que leva pânico aos ouvintes da rádio CBS, nos Estados Unidos.

Na nova edição do livro, a introdução é feita pelo escritor e pesquisador de literatura fantástica, Bráulio Tavares. Ele afirma que “Os marcianos de Wells são o primeiro retrato do alienígena como encarnação do Outro, do Estranho, de tudo que representa o nosso medo diante do desconhecido, e principalmente de um desconhecido que nos provoca repulsa”.

Não apenas em “A Guerra dos Mundos”, mas em boa parte da literatura que publica entre 1895 e 1901, HG Wells trata de dissolução social, da emergência de incômodos novos mundos, de velhos mundos forçados a se dobrar.

Em 1940, dois anos após a transmissão pela CBS de “A Guerra dos Mundos” no Radioteatro Mercury, em Nova Iorque, Orson Welles e HG Wells se encontram em uma entrevista. É este outro momento relevante do rádio que você acompanha a partir de agora com nossa devida e respeitosa Interferência. 



Da esquerda para a direita: Sérgio Miranda, Marcelo Abud, Silvania Alves, Marcelo Duarte e Warde Marx

Acompanhe outros conteúdos ligados ao radioteatro "A Guerra dos Mundos" no blog Peças Raras:






Abaixo, o roteiro utilizado na reconstituição deste sábado, dia 03 de novembro de 2018:

Silvania Alves – SA – Apresentadora
Marcelo Duarte – MD – Entrevistador / Charles Shaw
Warde Marx – WM – Orson Welles
Sérgio Miranda – SM – HG Wells

SA                              Olá, senhoras e senhores. A nossa emissora (KTSA) tem a honra de receber dois homens ilustres: o celebrado H.G.Wells, escritor e historiador inglês de renome mundial e pesquisador de assuntos internacionais; e o sr. Orson Welles, o gênio dos palcos, das telas e do rádio.
                        Esta é a primeira vez que os dois se encontram, mas esta não é a primeira vez que os nomes deles se cruzam. Dois anos atrás, Orson Welles adaptou o livro “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, para transmissão radiofônica.
                        Com uma ligeira revisão da trama, Orson descreve uma invasão dos Estados Unidos promovida por homens de Marte. Embora ele tenha explicado diversas vezes ao longo do programa que o relato era fictício, grande parte do país fica apavorada. Homens telefonam para estações de rádio e se oferecem para o alistamento contra os marcianos, e outras pessoas são tomadas de pânico.  
                        O realismo da produção, de tal modo assustadora, foi um tributo à genialidade do sr. Orson Welles. E foi assim que os nomes Wells, de H. G. Wells e Orson Welles, se associaram. Ambos estão aqui na cidade de San Antonio para participar de diferentes eventos. E o nosso apresentador Charles Shaw está no estúdio 2 para conversar com eles a partir de agora. Olá, Charles.
MD                 Olá, Sil. Neste encontro entre grandes mentes, sinto-me um tanto quanto ofuscado. E, quanto menos eu disser, mais você, nosso ouvinte, vai apreciar. Mas, antes, eu poderia gostaria de oferecer ao nosso dileto ouvinte uma discussão sobra a transmissão radiofônica do livro “A Guerra dos Mundos”, do sr. H. G. Wells, feita pelo sr. Orson Welles...
WM                 O senhor está transferindo a entrevista para nós?
MD                 Estou.
SM                  Ele está transferindo para nós. Pois bem, eu vivi uma série de experiências maravilhosas desde que cheguei aos Estados Unidos, mas o melhor que me aconteceu até o momento foi conhecer meu jovem xará aqui, Orson. Agradabilíssimo, ele porta meu nome e um E extra que espero que suprima no futuro, ao constatar que não cumpre nenhum propósito. Conheço seu trabalho desde antes desse acontecimento sensacional de dia das Bruxas. Vocês têm certeza de que houve tanto pânico no país, ou será que foi uma brincadeira de Halloween?
WM                 Acho que esta é uma das coisas mais gentis que um homem da Inglaterra poderia dizer sobre os homens de Marte. O sr. Hitler se divertiu bastante com aquilo, sabia? Ele até falou dela no Grande Discurso de Munique. E havia balões e um desfile nazista mostrando...
SM                  Ele não tinha muito o que falar.
WM                 É verdade, [risos] ele não tinha muito o que falar. E é um sinal da condição corrupta e do estado de decadência das democracias o fato de que “A Guerra dos Mundos” teve a dimensão que teve. Acho que é muito gentil da parte do sr. H. G. Wells dizer que não só não era minha intenção, como também que não era intenção do povo norte-americano.
SM                  Essa foi a nossa impressão na Inglaterra. Houve reportagens, e as pessoas diziam: “Você nunca ouviu falar do Dia das Bruxas na América, quando todo mundo finge que está vendo fantasmas”?
[AMBOS RIEM]
MD                 Houve um pouco de agitação, não posso minimizar a dimensão da agitação, mas acho que as pessoas superaram muito rápido, não?
WM                 Que tipo de agitação? O sr. H. G. Wells quer saber se a agitação não foi do mesmo tipo de agitação que temos quando fazemos brincadeiras, quando alguém pendura um lençol na cabeça e fala “bu”.
Acho que ninguém acredita que essa pessoa seja um fantasma, mas a gente grita e sai correndo pela casa. E foi mais ou menos isso o que aconteceu.
MD                 Essa é uma descrição muito boa de tudo.
SM                  Vocês não são ainda muito sérios na América, a guerra e suas consequências ainda não estão debaixo de seus narizes, e vocês ainda podem brincar com ideias de terror e conflito.
WM                 O senhor acha que isso é bom ou ruim?
SM                  É uma postura natural até o momento em que vocês se virem diante de tudo.
WM                 E aí tudo deixa de ser brincadeira?
SM                  E aí tudo deixa de ser brincadeira, caro Orson.
MD                 Agora eis uma ideia: alguns textos do sr. H. G. Wells foram rotulados de fantásticos há alguns anos, e é bem possível que tenham sido concebidos como tal. Uma dessas fantasias é o livro “O aspecto do que está por vir”, por exemplo. Mas, sr. Orson Welles, você acha que essa é uma história fantástica diante do que estamos vendo nos dias de hoje? 
WM                 Certamente não é fantástico. E uma questão que o senhor mencionou, não só em “O aspecto do que está por vir”, mas em outras sugestões ou em previsões diretas, é que após uma guerra destruidora temos um retorno ao feudalismo, algo que o mundo verá de novo.
E hoje, na apresentação do sr. H. G. Wells, ele disse algo – e não ouço nada tão interessante há muito tempo -, ele disse que, recentemente, começou a se perguntar se existe algum motivo para que a humanidade emule a fênix e saia de sua própria desgraça. Ele propôs algumas soluções, mas admitiu que elas podiam ser uma desculpa para um ponto de vista pessimista. Seria bom encarar a situação com realismo e não ignorar mais o ponto de vista pessimista. Talvez tenha chegado a hora de olharmos para a frente, para o futuro, o futuro do sr. H. G. Wells, que sempre adoramos e nunca chegamos a compreender que, de repente, se encontra diante de nós. E estamos hoje vivendo aquele famoso futuro de H.G. Wells que todos conhecemos.
MD                 Com essa incrível reflexão de Orson Welles, que está preparando um filme que promete dar o que falar e que, muito em breve, poderemos conferir no cinema, intitulado “Cidadão Kane”, eu encerro essa nossa conversa por aqui. Muito obrigado a você que segue agora com nossa programação.