Todo primeiro sábado do mês, tem Interferência no "Você é Curioso?", programa de variedades que é apresentado das 10 às 12 horas na Rádio Bandeirantes. O quadro traz informações sobre um programa que fez história na emissora e, em seguida, os apresentadores Marcelo Duarte e Silvânia Alves - com a participação de convidados especiais - reconstituem um roteiro original ou adaptado da atração.
Fotos: André Rizzatto - assessoria de Comunicação da Bandeirantes
Neste sábado, dia 13 de agosto, a Casa de Portugal, em São Paulo, recebeu mais de 900 ouvintes curiosos para acompanhar de perto a festa do programa comandado todo sábado por Marcelo Duarte e Silvânia Alves na Rádio Bandeirantes.
Acima, algumas imagens do evento, com destaque para o quadro Interferência, que reconstituiu a tradicional Crônica do Ouvinte.
A Interferência especial foi da ouvinte Ludimar Gomes Molina, de Praia Grande (no mosaíco, na foto inferior esquerda). A história enviada por ela ganhou voz na interpretação emocionante de Silvania Alves e pode ser acompanhada no player abaixo.
Já imaginou ligar o rádio e assistir ao filme que está em cartaz nos cinemas da cidade? Nos anos 40, o jornalista, radialista, roteirista e diretor de cinema Otávio Gabus Mendes leva ao ar exatamente esta proposta pela Rádio Bandeirantes.
Inicialmente feita dentro do Teatro Para Você, a sessão de filmes radiofonizados logo ganha um espaço exclusivo com o nome de Cinema em seu Lar. A atração é apresentada aos domingos, no então horário nobre do rádio, às 7 da noite. Era a época em que o aparelho permanecia em local privilegiado da sala e a família se reunia em torno dele para se informar e se divertir.
Agora é hora de imaginar. Acompanhe a adaptação para o rádio do curta-metragem Mentira, de Flávia Moraes, baseado no conto A Aliança, uma das Comédias da vida Privada de Luis Fernando Veríssimo. Ouça no player abaixo as interpretações de Marcelo Duarte, Silvânia Alves e Antonio Myer:
Saiba mais sobre o Cinema em Seu Lar:
Para recriar as histórias das telonas, no início, o próprio Gabus Mendes ia ao cinema e, mesmo no escuro, escrevia os diálogos. No dia seguinte, o filme estava no ar, radiofonizado. O radialista ainda cuidava da sonoplastia e integrava o elenco do radioteatro.
Um anúncio publicado no jornal Folha da Noite de 10 de agosto de 1946 (no destaque) anuncia para aquela noite de domingo a adaptação para o rádio de Indiscrição, de Peter Godfrey, que estava em cartaz. No elenco, Cassiano Mendes, Maria Estela Barros, o próprio Otávio Gabus Mendes, Moncha Rios e Aramis della Torre. O público-ouvinte acompanha a história de uma escritora solteira que alcança êxito com uma coluna sobre amor e casamento e que se vê obrigada a inventar uma falsa família na noite de Natal. A apresentação aconteceu um mês antes do falecimento precoce, aos 40 anos de idade, de Otávio Gabus Mendes.
Cinema em seu Lar tem continuidade com Ivani Ribeiro no trabalho de adaptação dos roteiros para a linguagem radiofôncia, enquanto Walter Forster liderava e dirigia o elenco de radioatroes que atuavam no programa.
Com o tempo, as próprias distribuidoras cinematográficas perceberam que a radiofonização do filme gerava publicidade. Com isso, chegam a ceder à emissora scripts até de títulos que ainda seriam lançados. É o que acontece, por exemplo, em 7 de dezembro de 1946, com a radiofonização da Comédia Romântica O Pecado de Clunny Brown
Com a substituição da imagem pelo som, a recriação da película era tão fiel que surpreendia não só aos ouvintes, mas também à crítica especializada e aos próprios participantes. No final do programa, havia espaço para a leitura das cartas enviadas pelos fãs ao elenco, que aproveitava a oportunidade para agradecer de viva voz os ouvintes.
"Você é doente, louco, apaixonado, desvairado, fanático por futebol?" Então ouça - no player abaixo - o Cantinho da Saudade especial em homenagem ao "locutor da torcida brasileira" Fiori Giglioti.
A pesquisa e o texto são meus. A interpretação, de Milton Neves. A sonorização de Roger Palm.
Anúncio publicado em 1954 no jornal Folha da Noite
José Medina, ex-cineasta, fez história no início da Rádio Bandeirantes
Todo primeiro sábado do mês, tem Interferência no "Você é Curioso?", da Rádio Bandeirantes. Na edição deste dia 04 de junho, em função da proximidade do Dia dos Namorados, o gênero destacado é o Rádio Romance. Acompanhe a reconstituição de um trecho de "Sonho ou Realidade?", radioteatro da década de 40, escrito por José Medina. No elenco, Walker Blaz, Marcelo Duarte, Silvânia Alves e Francisco Prado. (Se preferir, clique aqui e ouça diretamente no Spotify)
Saiba mais:
Quando surge, em 1937, a Bandeirantes é considerada uma emissora de elite, especializada na então denominada “música fina”. Demora pouco, no entanto, para que uma nova programação a transforme na “mais popular emissora paulista”. Em 39, com Otávio Gabus Mendes na direção artística, o radioteatro entra em cena. A iniciativa é aplaudida pelo público, que passa a tanto se emocionar, quanto se divertir com todo e qualquer tema transmitido neste formato.
Na equipe de Gabus Mendes, destaca-se o ex-cineasta José Medina. Responsável por um dos primeiros filmes rodados em São Paulo, Fragmentos da Vida, Medina havia se desencantado com a Sétima Arte. Isto porque, após o laboratório dele se incendiar, perde todo o material cinematográfico que possuía.
Na Bandeirantes, José Medina assume o papel de Diretor de Broadcasting. Profissional incansável, é também autor de boa parte dos textos de radioteatro de grande audiência nos anos 40 e 50.
Humor, drama, auto-ajuda... durante 16 anos na emissora, Medina escreve de tudo... inclusive centenas de contos no melhor estilo “água com açúcar”. O radioteatro destinado a este gênero é denominado Rádio Romance; e apresenta dramatizações com meia hora de duração.
É o trecho de uma dessas histórias que você ouve na reconstituição do Interferência com os protagonistas Marcelo Duarte e Silvânia Alves.
Todo primeiro sábado do mês, tem Interferência comigo no "Você é Curioso?". Neste dia 07 de maio, falamos sobre o RB-55. O sistema recebe este nome porque RB passa a ser a abreviação de Rádio Bandeirantes e 55 foi o ano de implantação do novo modelo.
Neste sábado, 02 de abril, estreou o quadro Interferência, no Você é Curioso?, da Rádio Bandeirantes. No primeiro sábado de cada mês, vou comandar a atração no programa de variedades da emissora que vai ao ar das 10 às 12 horas.
Confesso que interferir como colaborador de um dos programas que mais gosto (o outro é o Na Geral) na emissora que mais admiro é um dos maiores prêmios que já tive em minha carreira de comunicador.
Na estreia, falamos sobre o programa pioneiro do gênero policial no rádio, o Patrulha Bandeirantes. Na sequência, os apresentadores Marcelo Duarte e Silvânia Alves contam com as participações mais que especiais de Salomão Ésper e Francisco Prado para reproduzir nos dias de hoje o formato de radioteatro do antigo programa.
Conheça mais:
Patrulha Bandeirantes. Defendendo a cidade contra com o crime. Não havia em São Paulo quem não conhecesse esse bordão. Entre 1955 e 1974, o programa se destina a dramatizar os crimes publicados pelos jornais no dia anterior.
Apresentado toda manhã, o radioteatro contava ainda com utilidade pública e com a ronda das delegacias no quadro “As Bronca e os Afano do Dia”. Durante boa parte de sua permanência no ar, o narrador titular foi Leonardo de Castro. No elenco, merecem destaque também Muíbo César Cury e Ronaldo Baptista.
Os sons de tiros, batidas de carros, gritos e de tudo o que dava clima às histórias radiofonizadas pelo Patrulha Bandeirantes permaneceram no ar até 1974. É curioso observar o sucesso do programa em uma fase em que o radioteatro já não era comum. As equipes estavam enxutas e os grandes elencos tinham perdido espaço para os disck-jóckeis. No campo policial, repórteres especializados se encarregam de narrar histórias de crimes. Na própria Bandeirantes, José Gil Avilé, o Beija-Flor, foi pioneiro no estilo.
Lançada e idealizada por Clodoaldo José, Patrulha Bandeirantes chegou a ter sua versão televisiva. No dia13 de maio de 1967 entra no ar a TV Bandeirantes. No anúncio publicado nos principais jornais, o texto ressalta que naquela segunda-feira, às 4 e meia da tarde, o início da “programação completa” incluía... o Clube dos Heróis, o primeiro capítulo de Os Miseráveis, Ary Toledo, Jericho, Patrulha Bandeirantes e Os Titulares da Notícia, outro grande jornalístico que teve origem na Rádio Bandeirantes (veja anúncio da Folha de São Paulo no início desta postagem).
Patrulha Bandeirantes surge em um período em que o rádio já sofria a concorrência da TV. Aos poucos, boa parte do elenco, da programação e da verba publicitária migram para o novo meio de comunicação.
O rádio busca saídas mais econômicas. O elenco de radioteatro se torna reduzido e passagens curiosas ganham espaço, como a contada por Salomão Ésper envolvendo Zezinho Cutulo.
Patrulha Bandeirantes marcou época e até hoje faz escola no rádio brasileiro. Entre os grandes nomes que escreveram para o programa, além de Clodoaldo José, destacam-se Luiz de Oliveira, Arapuã, Cardoso Silva, Hélio Rossi, Chico de Assis e Thalma de Oliveira.