quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Você é Curioso? Então, ouça Interferência


O quadro Interferência estreou dia 02 de abril de 2011 e vai ao ar todo primeiro sábado do mês no "Você é Curioso?", da Rádio Bandeirantes. A proposta é resgatar momentos históricos da emissora. Não é apenas um bloco para relembrar um momento especial ou personalidade do rádio. A ousadia está na proposta de reconstituir o antigo formato nos dias de hoje.



Interferência - com Marcelo Abud
Primeiro Sábado de cada mês - entre 10 e 12 h.
No "Você é Curioso?", da Rádio Bandeirantes
AM 840 / FM 90,9 (em SP) e http://www.radiobandeirantes.com.br/

domingo, 4 de novembro de 2018

80 anos de "A Guerra dos Mundos": entrevista com HG Wells e Orson Welles







Em 2016, uma das mais famosas histórias de ficção científica de todos os tempos ganha uma nova edição, em livro de capa dura, no Brasil. Trata-se de “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, escrito originalmente em 1898. Essa história se torna ainda mais conhecida do grande público após a tão comentada e estudada adaptação que ganha em 30 de outubro de 1938, em forma de radioteatro. Na ocasião, Orson Welles dirige a dramatização que leva pânico aos ouvintes da rádio CBS, nos Estados Unidos.

Na nova edição do livro, a introdução é feita pelo escritor e pesquisador de literatura fantástica, Bráulio Tavares. Ele afirma que “Os marcianos de Wells são o primeiro retrato do alienígena como encarnação do Outro, do Estranho, de tudo que representa o nosso medo diante do desconhecido, e principalmente de um desconhecido que nos provoca repulsa”.

Não apenas em “A Guerra dos Mundos”, mas em boa parte da literatura que publica entre 1895 e 1901, HG Wells trata de dissolução social, da emergência de incômodos novos mundos, de velhos mundos forçados a se dobrar.

Em 1940, dois anos após a transmissão pela CBS de “A Guerra dos Mundos” no Radioteatro Mercury, em Nova Iorque, Orson Welles e HG Wells se encontram em uma entrevista. É este outro momento relevante do rádio que você acompanha a partir de agora com nossa devida e respeitosa Interferência. 



Da esquerda para a direita: Sérgio Miranda, Marcelo Abud, Silvania Alves, Marcelo Duarte e Warde Marx

Acompanhe outros conteúdos ligados ao radioteatro "A Guerra dos Mundos" no blog Peças Raras:






Abaixo, o roteiro utilizado na reconstituição deste sábado, dia 03 de novembro de 2018:

Silvania Alves – SA – Apresentadora
Marcelo Duarte – MD – Entrevistador / Charles Shaw
Warde Marx – WM – Orson Welles
Sérgio Miranda – SM – HG Wells

SA                              Olá, senhoras e senhores. A nossa emissora (KTSA) tem a honra de receber dois homens ilustres: o celebrado H.G.Wells, escritor e historiador inglês de renome mundial e pesquisador de assuntos internacionais; e o sr. Orson Welles, o gênio dos palcos, das telas e do rádio.
                        Esta é a primeira vez que os dois se encontram, mas esta não é a primeira vez que os nomes deles se cruzam. Dois anos atrás, Orson Welles adaptou o livro “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, para transmissão radiofônica.
                        Com uma ligeira revisão da trama, Orson descreve uma invasão dos Estados Unidos promovida por homens de Marte. Embora ele tenha explicado diversas vezes ao longo do programa que o relato era fictício, grande parte do país fica apavorada. Homens telefonam para estações de rádio e se oferecem para o alistamento contra os marcianos, e outras pessoas são tomadas de pânico.  
                        O realismo da produção, de tal modo assustadora, foi um tributo à genialidade do sr. Orson Welles. E foi assim que os nomes Wells, de H. G. Wells e Orson Welles, se associaram. Ambos estão aqui na cidade de San Antonio para participar de diferentes eventos. E o nosso apresentador Charles Shaw está no estúdio 2 para conversar com eles a partir de agora. Olá, Charles.
MD                 Olá, Sil. Neste encontro entre grandes mentes, sinto-me um tanto quanto ofuscado. E, quanto menos eu disser, mais você, nosso ouvinte, vai apreciar. Mas, antes, eu poderia gostaria de oferecer ao nosso dileto ouvinte uma discussão sobra a transmissão radiofônica do livro “A Guerra dos Mundos”, do sr. H. G. Wells, feita pelo sr. Orson Welles...
WM                 O senhor está transferindo a entrevista para nós?
MD                 Estou.
SM                  Ele está transferindo para nós. Pois bem, eu vivi uma série de experiências maravilhosas desde que cheguei aos Estados Unidos, mas o melhor que me aconteceu até o momento foi conhecer meu jovem xará aqui, Orson. Agradabilíssimo, ele porta meu nome e um E extra que espero que suprima no futuro, ao constatar que não cumpre nenhum propósito. Conheço seu trabalho desde antes desse acontecimento sensacional de dia das Bruxas. Vocês têm certeza de que houve tanto pânico no país, ou será que foi uma brincadeira de Halloween?
WM                 Acho que esta é uma das coisas mais gentis que um homem da Inglaterra poderia dizer sobre os homens de Marte. O sr. Hitler se divertiu bastante com aquilo, sabia? Ele até falou dela no Grande Discurso de Munique. E havia balões e um desfile nazista mostrando...
SM                  Ele não tinha muito o que falar.
WM                 É verdade, [risos] ele não tinha muito o que falar. E é um sinal da condição corrupta e do estado de decadência das democracias o fato de que “A Guerra dos Mundos” teve a dimensão que teve. Acho que é muito gentil da parte do sr. H. G. Wells dizer que não só não era minha intenção, como também que não era intenção do povo norte-americano.
SM                  Essa foi a nossa impressão na Inglaterra. Houve reportagens, e as pessoas diziam: “Você nunca ouviu falar do Dia das Bruxas na América, quando todo mundo finge que está vendo fantasmas”?
[AMBOS RIEM]
MD                 Houve um pouco de agitação, não posso minimizar a dimensão da agitação, mas acho que as pessoas superaram muito rápido, não?
WM                 Que tipo de agitação? O sr. H. G. Wells quer saber se a agitação não foi do mesmo tipo de agitação que temos quando fazemos brincadeiras, quando alguém pendura um lençol na cabeça e fala “bu”.
Acho que ninguém acredita que essa pessoa seja um fantasma, mas a gente grita e sai correndo pela casa. E foi mais ou menos isso o que aconteceu.
MD                 Essa é uma descrição muito boa de tudo.
SM                  Vocês não são ainda muito sérios na América, a guerra e suas consequências ainda não estão debaixo de seus narizes, e vocês ainda podem brincar com ideias de terror e conflito.
WM                 O senhor acha que isso é bom ou ruim?
SM                  É uma postura natural até o momento em que vocês se virem diante de tudo.
WM                 E aí tudo deixa de ser brincadeira?
SM                  E aí tudo deixa de ser brincadeira, caro Orson.
MD                 Agora eis uma ideia: alguns textos do sr. H. G. Wells foram rotulados de fantásticos há alguns anos, e é bem possível que tenham sido concebidos como tal. Uma dessas fantasias é o livro “O aspecto do que está por vir”, por exemplo. Mas, sr. Orson Welles, você acha que essa é uma história fantástica diante do que estamos vendo nos dias de hoje? 
WM                 Certamente não é fantástico. E uma questão que o senhor mencionou, não só em “O aspecto do que está por vir”, mas em outras sugestões ou em previsões diretas, é que após uma guerra destruidora temos um retorno ao feudalismo, algo que o mundo verá de novo.
E hoje, na apresentação do sr. H. G. Wells, ele disse algo – e não ouço nada tão interessante há muito tempo -, ele disse que, recentemente, começou a se perguntar se existe algum motivo para que a humanidade emule a fênix e saia de sua própria desgraça. Ele propôs algumas soluções, mas admitiu que elas podiam ser uma desculpa para um ponto de vista pessimista. Seria bom encarar a situação com realismo e não ignorar mais o ponto de vista pessimista. Talvez tenha chegado a hora de olharmos para a frente, para o futuro, o futuro do sr. H. G. Wells, que sempre adoramos e nunca chegamos a compreender que, de repente, se encontra diante de nós. E estamos hoje vivendo aquele famoso futuro de H.G. Wells que todos conhecemos.
MD                 Com essa incrível reflexão de Orson Welles, que está preparando um filme que promete dar o que falar e que, muito em breve, poderemos conferir no cinema, intitulado “Cidadão Kane”, eu encerro essa nossa conversa por aqui. Muito obrigado a você que segue agora com nossa programação.



segunda-feira, 13 de junho de 2016

Um caso de amor, radioteatro de José Medina

Página do roteiro do Interferência especial de Dia dos Namorados

Ando ausente do blog e de boa parte daquilo que mais gosto de fazer: minhas participações no Interferência, do "Você é Curioso?". O motivo é o envolvimento no acervo do Walter Silva (aquele saudoso comunicador do Pick-up do Picapau) para concluir meu mestrado. 

No entanto, em momentos especiais e com a parceria de gente talentosa, é possível alcançar esse resultado, que você confere no player abaixo. 

Dessa vez, o quadro foi produzido mesmo pela Vera Pasqualin, bisneta de José Medina. Eu apenas auxiliei com a sonoplastia.

Em sintonia...            
           José Medina tem seu nome associado ao cinema. Mas, além de uma destacada atuação na 7ª arte - como pioneiro do cinema mudo brasileiro -, Medina foi fotógrafo, colunista de jornal, pintor, desenhista e fez de tudo em rádio.
            O artista chega à Bandeirantes em 1939, a convite de Otávio Gabus Mendes. Durante a década de 1940, comanda dezenas de programas na emissora. Naquela que se tornaria “a mais popular emissora paulista”, José Medina assume papel de destaque como roteirista de inúmeras peças de radioteatro.
            Trivialidades é apenas uma dessas sessões de textos criados para o rádio pelo comunicador. É o episódio dessa série, levado ao ar em 27 de novembro de 1944, que passamos a acompanhar agora, com o nosso curioso elenco de radioteatro.

O radioteatro também foi transmitido via Facebook Live do Guia dos Curiosos. Acompanhe o vídeo:

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016



O primeiro Interferência de 2016 aconteceu na edição especial sobre esgrima, do "Você é Curioso?", no Sesc Pompeia. O blog e-farsas, do colaborador Gilmar Lopes, publicou um vídeo com os bastidores da atração. As imagens foram captadas pelo "e-farsinha". Se você é um ouvinte à moda antiga, feche os olhos e ouça. Mas se é realmente curioso, veja o vídeo. 

Sobre esta edição
Alter-ego de Don Diego de La Vega, Zorro foi criado em 1919. A história do Cavaleiro Solitário é publicada inicialmente em cinco partes na revista All-Story Weekly. No ano seguinte, sob a direção de Douglas Fairbanks, a saga do herói é adaptada pela primeira vez para o cinema, no filme A Marca do Zorro, que alcança sucesso comercial. 

A propósito, a marca adotada pelo personagem é a letra Z, que é feita com sua espada e deixada em paredes e roupas de seus inimigos como sinal de sua passagem. Com movimentos rápidos como os de uma raposa - tradução para o português da palavra zorro -, Diego é educado na Europa e retorna à Califórnia para defender os fracos e oprimidos, em meados do século 19. Sua imagem é construída com uma máscara e capa negras, a espada que empunha e a presença de seu inseparável cavalo. 

Em 1957, o seriado Zorro estreia na TV norte-americana, sob a tutela dos Estúdios Disney. Um dos primeiros representantes do gênero capa e espada também teve algumas adaptações para o rádio. Uma das mais conhecidas, As Aventuras do Zorro, apresentou episódios de curta duração baseados na história original publicada no livro A Marca do Zorro. Seis décadas depois, para você que é curioso, vamos dramatizar uma passagem dessa obra escrita por Johnston McCulley.

Neste Interferência, o elenco é composto por Marcelo Duarte (Zorro) e sua esposa Maisa Zakzuk (Lolita), Gilmar Lopes (narrador), Antonio Mier (Governador). Participações especiais de Antonio, filho de Marcelo Duarte e do "e-farsinha", na câmera. 

Abaixo, fotos do elenco do Interferência em ação. 


Sentados: Marcelo Duarte e Maisa Zakzud
Em pé: à esquerda, Gilmar Lopes; no meio, Antonio Mier; na ponta direita, Marcelo Abud










terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Interferência Especial: Retrospectiva da Rádio Bandeirantes / 2015

No último sábado de 2015, o Interferência foi dedicado às lembranças de alguns dos grandes momentos da programação da Rádio Bandeirantes em 2015. Destacamos trechos de programas como o Manhã Bandeirantes (Repórter sem Pauta e Desafio ao Chef), Bandeirantes Acontece (RádioDOC e Baita Fera), Rádio Livre (Alô Som), Na Geral e outros. Confira!


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Interferência relembra Bem que Vi: uma espécie de Boca no Trombone teatralizado

Em 1939, na Rádio Bandeirantes, Oswaldo Caiubi idealiza o Bem Que Vi, uma radiofonização humorística feita a partir de reclamações relatadas pelos ouvintes. 
Bem Que Vi logo cai na graça do paulistano. 
Ouça - no player abaixo - uma reconstituição do programa, com os apresentadores Marcelo Duarte e Silvania Alves, realizada no "Você é Curioso?".




As queixas, reclamações e reivindicações eram roteirizadas por Luiz Quirino dos Santos, que escrevia para dois personagens: Bem Que Vi, interpretado por Otávio França, e Júpiter, vivido por Caiubi, responsável por receber as reclamações de Bem que Vi.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Interferência no Dia do Radialista: o animador de auditório Ary Barroso

Ary ficou conhecido também por seu programa de auditório, Calouros em Desfile,
em que era impiedoso com os candidatos

Ouça o quadro Interferência de 7 de novembro de 2015, no player abaixo:


Em 7 de novembro comemoramos mais um Dia do Radialista.
O termo foi cunhado pelo saudoso  Nicolau Tuma, nos anos 1940. Nesse boletim, ouvimos o próprio "speaker metralhadora" explicando (em entrevista a Geraldo Nunes, no bom e velho São Paulo de Todos os Tempos, da extinta Eldorado AM) a origem do termo.

Mas... Dia do Radialista? Já não comemoramos esta data neste ano?

Então, vamos lá: para mim, o dia de fato continua a ser 21 de setembro, mas o de direito passou a ser 7 de novembro.

A princípio, todos que trabalham em rádio comemoram o dia da profissão em 21 de setembro. Data que foi estabelecida como uma referência aos radialistas desde 1943, quando Getúlio Vargas - na atribuição de Presidente da República - sancionou a lei que fixava um piso salarial para a categoria. Até aí, sem novidade.

Mas em 2006 o Senado Federal aprovou uma nova data para a comemoração e instituiu que o Dia do Radialista passa a ser comemorado, todos os anos, na data de nascimento de Ary Barroso.

A propósito, o autor de Aquarela do Brasil fez de tudo em rádio e, entre outras façanhas, ficou conhecido como “homem da gaitinha”, depois que passou a usar este instrumento como uma espécie de vinheta na hora em que narrava um gol. História na qual já interferimos aqui no programa.

Ouça outras edições do Interferência em www.interferenciaradiobandeirantes.blogspot.com 

Hoje vamos lembrar outra marca do radialista Ary Barroso: o de animador de programas de auditório, com o Toque Maestro.